Filme: Tróia
Dirigito por Wolfgang Petersen
Sobre o Filme: Inúmeras foram as obras cinematográficas baseadas nos livros de Homero, Ilíada e Odisséia. Tróia, um dos lançamentos mais aguardados do ano, é mais uma superprodução que dá vida aos lendários personagens que ilustram a conhecida tragédia.

Helena, rainha de Esparta, (Diane Kruger) é seduzida por Paris (Orlando Bloom), príncipe de Tróia, abandonando tudo e todos para fugir com seu amado.

A conduta dos amantes desencadeia a fúria do marido traído – Menelau – e incita a ganância de Agamenon que, usurpador inveterado, pretende dominar mais um povo, valendo-se da desculpa de ‘limpar a honra’ do irmão.

Para isso, os gregos lançam ao mar mais de mil navios a fim de alcançar e tomar Tróia – a cidade de muralhas impenetráveis, e, assim, resgatar a rainha fujona.

Contam, ainda, os gregos com um reforço considerável: Aquiles – aquele cujo único ponto fraco são seus calcanhares – vivido por Brad Pitt e a astúcia – nem sempre politicamente correta – de Ulisses.

Mas nem tudo é assim tão fácil para os gregos, ‘do outro lado do ring’ temos Heitor (Eric Bana), príncipe de Tróia, bravo comandante de seus exércitos, que não fica devendo nada em bravura aos heróis gregos.

Histórias clássicas como essa não trazem grandes surpresas, afinal, todos sabemos o que significa um ‘presente de grego’.

Nem por isso o filme perde seu valor, ao contrário.

Muito bem filmado – a maior parte das imagens externas foi feita em Malta, mesma região em que filmaram O Gladiador – tem seu ponto forte nas cenas de batalhas – sangrentas e crueís, é verdade.

Depois de tanto derramamento de sangue fica no ar a pergunta: Tanta luta, tanta morte por quê?

Ainda hoje vemos situações parecidas em que os ‘soldados’ se põem na frente de batalha, matam e morrem, sem saber o que justifica esses atos. Honra? Glória? Poder? De quem? Para quem? Para quê?

Há aqueles que juram que se lançam em guerras infinitas em busca da paz ou em nome de Deus.

Francamente!

Tantos séculos se passaram desde a primeira vez que se falou na Guerra de Tróia, ou que Jesus passou por aqui, e ainda continuamos a lutar por motivos que não são nossos e deixamos nossas verdadeiras motivações soterradas em algum canto qualquer, iludidos por nada.

Fazer guerra?

Só se for para combater nossas próprias fraquezas.

Matar e mutilar?

Só se forem nossas idéias equivocadas e nossos vícios ancestrais.

Combater?

Sempre que o motivo for justo e correto, mas sempre usando o bom exemplo e a verdadeira coragem como armas.

No mais, como distração, Tróia e seus controvertidos personagens continuam nos servindo, mas nunca como modelos de conduta ou de postura a serem observados.




Kely Cristina Laurentino Silveira

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