Filme: Voltar a Morrer
Dirigito por Kenneth Branagh
Sobre o Filme: Mike Church (Kenneth Branagh), um detetive especialista em localizar pessoas desaparecidas, é contratado para descobrir a identidade de uma moça sem memória (Emma Thompson), incapaz de pronunciar qualquer palavra, atormentada por horríveis pesadelos.

Ao iniciar sua investigação Mike é auxiliado por Madson (Derek Jacob) - um inescrupuloso dono de um antiquário - que domina habilmente a arte da hipnose.

Logo na primeira sessão, 'Grace' (como passa a ser chamada por Mike) faz uma regressão de memória que a leva a mencionar nomes e acontecimentos ocorridos há mais de cinqüenta anos. Ela relata com riqueza de detalhes o romance entre Roman Strauss (Kenneth Branagh) e Margareth (Emma Thompson), ocorrido no final da década de quarenta, e que teve um desfecho trágico, com o assassinato dela e a condenação dele, pelo crime, à pena de morte. Não há dúvida de que os pesadelos de 'Grace' têm relação com o drama vivido por Margareth e Roman. Trata-se de uma típica situação de regressão a vidas passadas.

Entre uma sessão e outra de hipnose, Mike e 'Grace' vão se conhecendo e se apaixonando naturalmente. Se por um lado esse romance não surpreende, por outro o desenrolar do filme é de tirar o fôlego. Afinal, quem é 'Grace' e o que há/houve entre ela e Mike?

A excelente atuação de Kenneth Branagh (Mike e Roman) e de Emma Thompson ('Grace' e Margareth) permitem que as duas histórias de amor (passado e presente) não se confundam e, pelo contrário, completem-se.

Detalhe: na primeira vez que assisti a esse filme demorei a perceber que Roman Strauss também era vivido por Kenneth Branagh, não só pela mudança em seu visual, mas principalmente pela capacidade de 'transformação' (gestos, fala e expressão corporal) desse talentoso ator.

Nem mesmo a péssima maquiagem de Andy Garcia (Grey Backer - um jornalista apaixonado por Margareth) é capaz de prejudicar o filme, que contém um ótimo enredo e conta ainda com uma rápida, porém eficiente, participação de Robin Williams (um psiquiatra muito mal-humorado que muito auxilia Mike com noções a respeito de reencarnação e lei de causa e efeito).

Moral da história? Bem, nem sempre as coisas/pessoas são exatamente como/quem imaginávamos. A vida pode nos reservar grandes surpresas. E, além disso, o esquecimento do passado, na maior parte das vezes, é mesmo uma grande benção.

Confira. Vale a pena.

Kely Cristina Laurentino Silveira

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