Filme: Fanny & Alexander
Dirigito por Ingmar Bergman
Sobre o Filme: FANNY & ALEXANDRE
(FANNY OCH ALEXANDER)

Suécia, 1983. Direção de Ingmar Bergman. Com Pernilla
Allwin, Bertil Guve, Gun Wallgren, Allan Edwall. Pole video, 3h08.
Esta obra-prima do famoso produtor sueco Bergman, premiada com 6 Oscar da Academia de Hollyood, em 1983, e prêmio Cesar e Hour Concour no Festival de Cannes, foi, recentemente, colocada entre os melhores filmes dos anos 80, por críticos brasileiros e estrangeiros. Nessa pesquisa, a revista francesa Cahiers du Cinéma apontou Fanny & Alexandre como o primeiro colocado da década. (Folha de S. Paulo, Ilustrada, 30/12/89, p. 2.)
É um filme surpreendentemente espiritualista, com várias aparições nítidas, em muitas delas estabelecendo-se um diálogo claro, coerente e muito natural, que levaram os críticas a enxergarem nesse drama “um realismo fantástico, que substituiu o clima denso das obras anteriores de Bergman”... Na verdade, o jovem Alexandre, um dos personagens principais, é um notável médium vidente e clariaudiente. O enredo desenvolve-se em torno da matriarcal família sueca de Helena Ekdhal (Gun W.), a partir do Natal de 1907. O ator Oscar, filho de Helena, morre e deixa, viúva, a atriz Maj e seus filhos Alexandre (Bertil G.) e Fanny (Pernilla A.).
Nos últimos minutos de vida física, Oscar exclama aos familiares: “- Nada... nada me separará de vocês. Nem agora, nem depois. Eu sei. Acho que estarei mais perto de vocês, do que jamais estive em vida.” De fato, algum tempo após sua desencarnação, ele começa a ser visto com nitidez, em várias ocasiões, por Alexandre.
O novo casamento de Maj com um bispo severo e metódico, trouxe angústia e sofrimento às duas crianças. Estas, certo dia, ouviram da antiga empregada da casa a incrível história da terrível morte da primeira esposa do bispo, juntamente com suas duas filhas. “- Depois do acidente a casa ficou estranha. Tenho pena dessas almas...” – concluiu ela. Mas, para grande surpresa da doméstica, Alexandre já sabia de tudo, com pormenores desconhecidos dela, graças às informações colhidas diretamente do Espírito da primeira esposa! Essa revelação, transmitida pela empregada ao bispo, ocasionou ao menino-médium muito sofrimento.
Num interessante diálogo com seu pai, Espírito, Alexandre desabafa sua revolta e, mesmo, ódio do padrasto, recebendo dele a orientação: “Você deve amar as pessoas.”
Um sobrinho do judeu Isak, benfeitor de Alexandre, chamado Ismael, também demonstra seus dons paranormais. Esse moço transmitiu ao irmão de Fanny o seguinte esclarecimento: “- Tio Isak diz que há várias realidades... Há espectros e demônios por toda parte. Tudo tem vida. Tudo é Deus, o bem e o mal.” Em certo momento, Ismael lê o pensamento do menino (“-Você pensa na morte de alguém.”) e vê, à distância, a morte desse alguém, envolto em chamas. O fato era real. Nesse episódio, o autor desse filme sueco teria sido influenciado pela célebre visão, à distância, do “vidente” sueco Swedenborg (1.968-1772)? Recordemos que esse notável médium, estando em Gothenbour, “viu” um incêndio em Estocolmo, com a comprovação de numerosas testemunhas.
A conservação do ódio dessa criatura, mesmo morta no incêndio, foi bem demonstrado numa cena posterior em que o seu Espírito aparece nitidamente ao lado de Alexandre e exclama: “De mim você não escapa!”, e derruba o menino ao chão!
No final, enfatizando a temática básica deste filme arte, a vovó lê o seguinte trecho da peça O Sonho, de Strindberg: “Tudo é possível e provável. Tempo e espaço não existem. Sobre a frágil base da realidade a imaginação tece novas formas...”
Hércio M C Arantes

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