Filme:
Manika, a reencarnação de uma adolescent
Dirigito por
François Villiers
Sobre o Filme:
MANIKA, A REENCARNAÇÃO DE UMA ADOLESCENTE
(MANIKA, UNE VIE PLUS TARD)
França, 1989. Direção e roteiro de François Villiers.
Com Julian Sands, Stéphane Audran, Ayesha Dharker e Suresh Uberoi. Labrador Filmes, colorido, 1h40, Alvorada Vídeo.
Ao assistir este filme, tivemos a impressão de que o francês Villiers, diretor e também roteirista, baseou seu interessante drama nos casos de reencarnação em documentos por vários pesquisadores, especialmente pelo Prof. Dr. Ian Stevenson, ilustre Diretor do Departamento de Psiquiatria e Neurologia da Escola de Medicina da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos da América, autor do notável livro Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação (Twenty Cases Suggestive of Reincarnation, 1996; editado no Brasil pela Editora Difusora Cultural, São Paulo, SP, 1ª ed., 1971, 520 p.) sendo que destes vinte casos, sete foram registrados na Índia.
A seriedade deste filme foi detectada pelo crítico de cinema Álvaro Machado, nestes termos:
“Manika, a Reencarnação de uma Adolescente tem uma abordagem bem diversa das purpurinas extraterrenas que assombram as telas dos cinemas todas as sextas-feiras.
Apesar da trama de fundo romântico, Manika se ocupa do problema da reencarnação sem sentimentalismo, analisando-o também sob o ponto de vista da religião – enfoque sistematicamente relegado a quinto plano na maioria das produções sobre o tema. Se isso não bastasse para diferenciá-lo de inúmeras alegorias sobrenaturais de viés cômico-lacrimoso, registre-se que o filme tem fundo verídico.
Casos documentados de reencarnação contam-se às centenas no quadro da religião hindu, onde o fenômeno é componente importante da crença. Mas a história de Manika é narrada por um padre católico irlandês em missão no Oceano Índico, criando um novo pólo de interesse para o espectador ocidental (para o cristão a única ressurreição possível acontecerá no Juízo Final).
O roteiro de Villiers tira grande proveito do drama da garota de dez anos em busca da explicação para sua vívida memória inconsciente. Seu fecho permite ao diretor ilustrar o filme com uma surpreendente relativação de dogmas religiosos, tanto católicos quanto hindus.
(...) O tema difícil do choque entre dogmas religiosos exigiria um realizador com narrativa menos convencional. Cônscio de suas limitações, Villiers conta a aventura espiritual da garota Manika e do padre Daniel com digna simplicidade. Num cenário tão exuberante e com história tão complexa, é uma pequena façanha.”
(Folha de S. Paulo, S. Paulo, SP, 27/12/90.)
Manika Kalattil (Ayesha Dharker) é uma menina de 10 anos, de família pobre, que reside em pequeno vilarejo de pescadores, em uma ilha da costa da Índia. Seus pais converteram-se ao Catolicismo e ela estuda na escola fundada pelos padres.
Manika surpreende seus colegas de escola com histórias sobre uma outra vida, de riquezas, vivida por ela no distante Nepal, a 3.000 Km daquela região. A repercussão destas informações chega aos ouvidos do padre Daniel (Julian Sands), seu professor, que, de início, repreende a menina.
Mas, com o passar do tempo, Manika vai convencendo-o com sucessivas revelações. Em classe, ela surpreende até o Padre Provincial, em visita de inspeção, com sua forma educada de expressão, isto é, acima do nível das meninas daquela região. Em outro dia, corrige a relação de cidades santas apresentada pelo professor, acrescentando Dhulikot, no Nepal, quando confessa: “ -Nesta cidade, morei numa casa grande. Eu me chamava Lakshmi.”
Um dos sonhos reveladores de Manika é muito significativo, assim narrado por ela: “- Na noite passada, voltei a ver a nossa casa. Vi o rio Bagmati, os templos de Dhulikot e o Himalaia no horizonte. Vi um homem bonito, ele me dava a mão, seu nome era Ranjit Sharma. Era meu marido. A gente se amava muito. Antes de morrer pedi que jurasse que me esperaria. Ele me fez um juramento solene. Tenho que ir vê-lo.”
As informações de Manika são checadas pelo padre Daniel e ele fica cada vez mais convencido da veracidade das mesmas. Seus pais, apreensivos com as informações de seu passado, providenciam um ritual exorcista para curá-la, sem resultados...
Vivendo em crescente ansiedade, Manika foge para o Nepal na esperança de encontrar seu antigo marido e o lugar onde residiu. Padre Daniel parte em busca prometendo encontrá-la e trazê-la de volta. A viagem será decisiva e esclarecedora para os dois. Num momento emocionante, Ranjit Sharma (Suresh Uberoi) reconhece em Manika sua esposa já desencarnada.
Após sua extraordinária experiência com Manika, o padre Daniel, em dura e conflitiva polêmica com outro padre, seu amigo, não cede aos argumentos dogmáticos, e exclama: “ - Eu vi um caso de reencarnação!”, convicção que lhe valeu a perda daquela antiga amizade.
Segundo o enredo do filme, pode-se deduzir que o intervalo entre as duas vidas de Manika foi muito curto. Consultando o livro do Dr. Stevenson, citado acima, encontramos esta observação: “Na maioria dos casos do tipo citado acima, encontramos esta observação: “Na maioria dos casos do tipo reencarnação, a personalidade precedente morrera alguns anos antes do nascimento da personalidade atual. O intervalo varia, mas a média nos nascimentos da personalidade atual. O intervalo varia, mas a média nos casos indianos é de cinco a dez anos.” (p. 64) No caso de Parmod, muito bem documentado, o intervalo foi de um (1) ano e cinco (5) meses. (p. 152)
Pelo exposto, não temos a menor dúvida em afirmar que este filme é precioso para nós, espíritas, digno dos melhores elogios. Parabéns, François Villiers!
Hércio M C Arantes
Fechar Janela