Filme: O oitavo dia
Dirigito por Jaco Van Dormanel
Sobre o Filme: O OITAVO DIA
(LHE HUITIÈMEREJOUR / THE EIGHTH DAY)

França, 1996. Filme de Philippe Godeau. Direção e roteiro: Jaco Van Dormanel.
Com Pascal Duquenne, Daniel Auteuil.
Polygram, colorido, livre, 1h58, Europa Carat Home Vídeo.

Filme cativante, enfocando dois dramas pessoais, que, providencialmente, se cruzam nos caminhos da vida.
Harry (Daniel Auteuil, Melhor Ator Cannes 96) é um executivo dinâmico, que vive intensivamente sua profissão, quase sem tempo para dedicar-se à família. Esse conflito familiar chega ao ápice quando esquece de buscar suas filhas menores numa estação de trem. E, duramente rejeitado pela esposa e filhas, em face do episódio, começa a dirigir pelas estradas com profunda angústia e quase atropela o jovem Georges (Pascal Duquenne), portador da síndrome de Down. Este, sendo órfão e também rejeitado pela única irmã, havia fugido do Instituto, onde residia, e buscava na estrada um novo destino... A partir de então, surge uma amizade que Irã marcar a vida de ambos.
O ator Duquenne, igualmente agraciado com o prêmio de Melhor Ator Cannes 96, tem um excelente desempenho, mostrando os traços fisionômicos e a típica personalidade alegre e vivaz dos mongolóides.
Em vários momentos difíceis da existência de Georges, o Espírito de sua mãe, desencarnada há quatro anos, aparece plenamente materializado e dialoga com ele, transmitindo-lhes boas orientações e muito carinho. Também, por duas vezes, ela traz consigo um artista, para cantar, alegrando seu filho. Certa vez, revoltado com a sua situação de interno de um Instituto, assim conversa com a genitora:
- Mãe, quero ir embora. Quero ir para casa.
- Sabe que é impossível, Georges. Sinto orgulho de você – abraçando-o e, em seguida, acariciando-o.
Em outro momento, caminhando à beira-mar, quando atinge um local de grande risco, vê sua genitora ao seu lado, que lhe pede:
- Cuidado! – e logo desaparece.
Num outro encontro, em sonho realmente vivido no Plano Espiritual, Georges informa à sua mãe que irá residir na casa do amigo Harry. E ela, provando que acompanha atentamente, do Além, os passos do filho querido, esclarece-lhe:
- Fico feliz (ao saber da amizade dele com Harry). Mas Harry ainda não está preparado. Tem outra vida. Você precisa enfrentar a realidade. Você é meu anjo.
E, em determinado momento, George estava desesperado, descontente com sua situação e desabafa com a sua mãe:
- Quero ir embora com você. Aqui não dá certo para mim – e ouve a resposta:
- Estou longe, meu filho. No Céu. Você foi a melhor coisa de minha vida. O maior dos presentes.
Assim, a atuação carinhosa e benéfica da mãe do jovem, vencendo as barreiras entre os Planos físicos e espiritual, constitui uma matéria relevante do filme.
E, com certeza, a figura do afetuoso, solidário e risonho Georges – “criado por Deus no oitavo dia”, segundo a seqüência de Criação elaborada por ele mesmo... – ficará na nossa memória para sempre.

Hércio M C Arantes

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