Filme: Falando com os mortos
Dirigito por Stephen Gyllenhaal.
Sobre o Filme: FALANDO COM OS MORTOS
(TALKING TO HEAVEN)

EUA, 2001. Direção de Stephen Gyllenhaal.
Com Ted Danson, Mary Steenburgen, Jack Palance.
Roteiro de John Pielmeier. Co-produção de James Van Praagh.
Hallmark E. Production, colorido, 14 anos, 2h22, Alpha Filmes.

Filme baseado na história do médium norte-americano James Van Praagh (Ted Danson, de O Resgate do Solado Ryan), que desde a infância apresentou visões dos Espíritos, chegando, às vezes, a dialogar com eles.
James aprendeu muito cedo que, para não gerar confusão e até reações hostis, não podia revelar às pessoas tudo o que via e ouvia do Outro Lado da vida...
Ele encontrou em sua mãe muita compreensão e paciência, mas, ao contrário, seu pai (o veterano ator Jack Palance, de Batman) nunca conseguiu aceitar a sua mediunidade e sempre o pressionou para não exercê-la.
A maior parte do filme focaliza a elucidação, pela mediunidade, de dois casos policiais.
Um deles, bem mais longo, com final surpreendente, permitiu classificá-lo na categoria de suspense. Este caso apresenta a história de um grupo de adolescentes assassinados, que volta do Além, periodicamente, pressionando o médium James para agir pela elucidação dos crimes que os vitimaram, ocorridos num parque afastado da cidade.
Embora afirme-se que Falando com os Mortos é baseado no livro Talking to Heaven (1997) – o mesmo título original do filme -, lançado no Brasil com o nome de Conversando com os Espíritos (Ed. Salamandra, Rio, RJ, 1998), a grande maioria dos seus fatos e personagens não é encontrada nesta obra. Aliás, o próprio vídeo anuncia nos seus textos finais, após a apresentação do filme, que “Certos personagens e acontecimentos são fictícios.”
Assim, com esta observação pudemos entender porque o enredo do principal caso do filme, que não faz parte do livro, não se harmoniza com as informações espirituais sérias que conhecemos. Pois, os adolescentes assassinados no parque não ficariam perambulando na Crosta à procura do médium James para que o caso fosse esclarecido pela justiça, porque seriam socorridos devidamente, permanecendo em instituição apropriada.
Lendo Conversando com os Espíritos observa-se que o médium é bem orientado, expondo a maioria dos seus conceitos em sintonia com os fundamentos espíritas.
Por exemplo, ele é reencarnacionista; elucida a lei de causa e efeito (ou do carma); destaca a assistência dos Espíritos aos desencarnados, obedecendo a leis espirituais superiores, “amando-nos o suficientemente para proteger nosso crescimento”; fala em hospital, do Além, para receber recém-desencarnados; afirma a existência do corpo espiritual (ou astral) com seus chakras; cita as Esferas Espirituais, com os seus seres mais desenvolvidos habitando os planos mais elevados; embora afirme que “a mão iluminada de Deus foi minha primeira experiência com a clarividência” (p. 15), considera que Ele “está presente em toda parte e em tudo”, “nos ama incondicionalmente, é justiça, compreensão” (p. 30); e aponta “o único caminho” para todos nós: “nos tornaremos iluminados só quando conseguirmos aprender o amor incondicional por nós mesmos e pelos outros”; (p. 120)
Mas, infelizmente, estes conceitos não são divulgados pelo roteiro cinematográfico, pois limitou-se apenas aos fenômenos mediúnicos.

Hércio M C Arantes

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