Filme: Um olhar na escuridão
Dirigito por John Korty
Sobre o Filme: UM OLHAR NA ESCURIDÃO
(THE WATCH)

EUA, 1993. Direção de John Korty
Com Patrick Bergin, Vanessa Redgrave, Valerie Mahaffey.
Showtime, colorido, 1h38, LK-Tel Vídeo.

Filme baseado em conto do célebre poeta, romancista e contista inglês Rudyard Kipling (1865 - 1936), Nobel de Literatura, autor de vários contos de cunho “sobrenatural”, tais como: A Casa do Desejos, Madona das trincheiras e O Jinriquixá fantasma. (Enciclopédia Mirador).
Um Olhar na Escuridão é um drama comovente de família norte-americana que perde uma menina de 11 anos num acidente automobilístico. O pai, Mark Samuels (P. Bergin), sente-se culpado pela morte de Nikki, pois, chegando muito atrasado num recital, não alcança a apresentação de dança de sua filha. Esta, profundamente magoada, alegando que ele nunca a viu dançar, recusa-se a voltar para casa com o genitor, preferindo o carro de sua mãe Chris (V. Mahaffey); chove muito e um caminhão atinge o carro delas, lançando o corpo da jovem violentamente para fora, ocasionando-lhe a morte.
Mark se desorienta com esta perda, ficando cada dia mais perturbado e irritado, até que um desenho de uma mansão, pintado e colocado na sua valise pelo próprio Espírito de Nikki, leva-o à referida propriedade, onde reside a médium cega Miss Florence (V. Redgrave).
Nesta mansão e no seu bosque, Mark vê Espíritos de crianças, revelando-se sensitivo. Surpreso, interpela Florence, que lhe explica:
“- São pequenas almas perdidas. Estão presas à Terra. Querem partir, mas não podem. Só podem viver nas lágrimas daqueles que as amavam. Nas lágrimas dos vivos. São almas, Espíritos em trânsito.”
E acrescenta, dando-lhe valioso conselho: “- Tudo o que temos de querido é emprestado. Devemos estimar tudo como se fôssemos perder amanhã.”
Florence sempre idealizou possuir filhos, mas não podendo realizar essa grande sonho, pois nunca se casou, “fingiu que tinha uma família” e adquiriu muitos brinquedos, espalhando-os pela mansão, com se estivesse muitos filhos... O que atraiu, segundo ela, as crianças do Além, que lá passaram a residir temporariamente.
Uma delas é má, vestindo-se de tal forma que lembra uma coruja, e age como Espírito obsessor, atuando livremente, chegando quase a provocar a desencarnação acidental da irmãzinha de Nikki, por duas vezes.
Mas, a literatura espírita ensina-nos que nada disso pode ocorrer, na realidade. No Além, não há crianças perdidas ou abandonadas, ou mesmo, agindo como obsessores, pois, pela dependência e fragilidade naturais das mesmas, merecem dos Benfeitores da Vida Maior a mais completa assistência.
As crianças, até que cresçam - e voltem ao estado normal de adulto, em tempo variável, conforme o estado evolutivo de cada uma - ou reencarnem, são amparadas em lares ou educandários. Geralmente nestes locais, especialmente nos primeiros tempos após a desencarnação, são realizados os reencontros dos filhos com os pais, quando estes são levados, em Espírito, pelos Benfeitores, nos momentos de sono físico. São os sonhos do reencontro, embora nem sempre registrados na memória dos encarnados, mas constituem salutar medicamento para os corações atingidos pela dor da separação. (Ver Entre a Terra e o Céu, cap. 9, 10 e 11, Obreiros da Vida Eterna, p. 127 e Nosso Lar, p. 114, todos FEB, de André Luiz e F. C. Xavier; Crianças no Além, Marcos, GEEM e Escola no Além, Cláudia C. Galasse, IDEAL, ambos de F. C. Xavier).
Apesar das referidas fantasias em face da realidade do Mundo Espiritual, Um Olhar na Escuridão é uma produção interessante, pois exalta a Imortalidade e a possibilidade de intercâmbio entre os vivos Daqui e De Lá.
O reencontro final de Mark com a sua filha desencarnada é terno e emocionante, permitindo que o perdão, o amor e a compreensão brilhem intensamente, solucionando a problemática familiar que apresentava raízes na Terra e no Céu...

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