Filme: Como se fosse a primeira vez
Dirigito por Peter Segal
Sobre o Filme: Andie Anderson (Kate Hudson) é a jornalista responsável pela coluna “How to” (como fazer) de uma revista feminina de grande circulação.

Para livrar uma amiga de uma situação embaraçosa, Andie acaba vendo-se obrigada a fazer a seguinte matéria: como perder um homem em dez dias.

Basicamente ela deveria relacionar os erros mais comuns que as mulheres costumam cometer nos relacionamentos amorosos.

Porém, para ficar mais verossímil sua matéria, ela decide envolver-se com alguém e ser o mais “pegajosa” possível para ver quanto tempo a “vítima” suportaria antes de cair fora.

A cobaia da cruel experiência acaba sendo o publicitário Benjamim Barry (Matthew McConaughey), o qual de inocente não tem nada.

Pelo contrário, para conseguir administrar a conta de um cliente muito importante na agência em que trabalha ele deve ganhar uma aposta que fez com seu próprio chefe.

Ele precisa arranjar uma namorada e fazer que ela se apaixone por ele em dez dias, no máximo.

Não é difícil imaginar o que passa a acontecer: ela faz mil diabruras para levar um fora, enquanto ele suporta tudo com a abnegação de um santo, no afã de conquistar o coração da linda megera.

Há situações realmente hilárias.

O estereótipo da mulher “grudenta” e mimada é exemplificado com grande habilidade pela jovem atriz Kate Hudson.

A performance de McConaughey também é muito boa.

Destaque especial para a cena em que ele se dá conta que a invasão de sua privacidade alcançou até mesmo o armarinho de seu banheiro e para a seqüência em que eles (Benjamim e Andie) são atendido por uma “terapeuta de casais”.

É uma comédia romântica típica e previsível, mas nem por isso deixa de ser agradável. É pura diversão.

Vale a pena salientar, por fim, que em Hollywood tudo é possível, até mesmo brincar com os sentimentos dos outros - e com os próprios - e ter um final feliz garantido.

Na vida real, porém, as lesões afetivas são fontes de grande sofrimento desde sempre, e especialmente nos dias de hoje, em que os relacionamentos afetivos têm sido comumente tratados de forma banal e descuidada.
Envolver-se com alguém sem afeto e sem real interesse - que não se deve confundir com mera atração física – é um tipo de conduta que não mais se justifica para aqueles que conhecem os ensinos de Jesus a respeito de como devemos tratar os outros (da forma como gostaríamos de ser tratados, não é ?).

Veja o filme e ria bastante, mas não esqueça de refletir a respeito da responsabilidade que advém dos afetos que conquistamos, como bem nos orienta Saint-Exupèry, no livro O Pequeno Príncipe.



Kely Cristina Laurentino Silveira

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