Romance - -
GHOST – DO OUTRO LADO DA VIDA
Jerry Zucker
GHOST – DO OUTRO LADO DA VIDA
GHOST – DO OUTRO LADO DA VIDA
EUA, 1990. Direção de Jerry Zucker. Roteiro de Bruce

Joel Rubin. Com Patrick Swayze, Demi Moore, Whoopi Goldberg, Tony Goldwin. Paramount, colorido, 2h03, CIC.
Associando romance, paranormalidade (vida no Além e mediunidade), comédia e suspense em doses corretas, e mantendo um ritmo excelente do começo ao fim, Ghost alcançou um sucesso extraordinário em todos os cinemas. Nos EUA, surpreendendo todo o mundo (pois sua força não está no sexo, nem na violência; e, ainda mais, não possui um grande nome no elenco), ele teve a maior bilheteria de 1990: US$ 201,1 milhões. E em março/91, foi premiado pela Academia de Hollywood com dois Oscars: Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Original de 1990.
É a história dos jovens noivos Sam (Patrick Swayze) e Molly (Demi Moore) – ele bancário, ela, escultora – que residem, felizes, num apartamento em Nova York. Certa noite, voltam do teatro a pé e são abordados por um assaltante. Sam reage e morre baleado. Logo em seguida, ele aparece, em Espírito, com idêntica aparência física, ao lado e fora de seu corpo material. Começa, assim, sua vida espiritual, sempre junto à Crosta, até o fim do filme, participando dos graves problemas de Molly, sentindo por ela o mesmo afeto de sempre. Daí a legenda do cartaz de propaganda de Ghost: “Quando o amor é profundo, nada nesta vida pode matá-lo. Nem mesmo um assassinato.”
Para nós, espíritas, é um filme importante porque, pela primeira vez, no cinema, é abordado, com detalhes, ao longo da maior parte do drama, certos aspectos da interrelação entre encarnados e desencarnados, do processo desencarnatório e da vida no Plano Espiritual, aproximando da realidade que conhecemos através de relatos de nossa literatura. Surgem alguns exageros, por exemplo: a ação dos Espíritos sobre a matéria (os chamados efeitos físicos) não é tão fácil como é mostrada, pois há necessidade da presença de substância ectoplásmica produzida por médiuns. Mas, em outros momentos, certos fatos que envolvem os Espíritos recém-desencarnados são mostrados com clareza e fidelidade, tais como: a impressão de ainda viver no corpo físico, ostentando, na realidade, o corpo espiritual; sua perplexidade em face de não ser notado pelos encarnados; o encontro com outros Espíritos; a possibilidade de atravessar obstáculos físicos (paredes, portas fechadas), inclusive corpos humanos...; a satisfação, muitas vezes imensa, de poder comunicar-se com os encarnados por via mediúnica.
A médium Oda Mac Brown (Whoopi Goldberg, que trabalhou em Cor Púrpura, com brilhante participação também em Ghost, merecendo os prêmios Oscar e Globo de Ouro – 1990, de melhor atriz coadjuvante), até então atuando como “vidente” charlatã, foi a salvação de Sam em sua incrível e arrojada luta para ajudar a amada Molly, em grandes dificuldades aqui na Terra. Surgiu a oportunidade de se redimir, como médium clariaudiente, embora com pouca vontade, de um passado de charlatanice...
É bom lembrarmos que o dom mediúnico independe da moral e, às vezes, em circunstâncias especiais, os bons Espíritos se utilizam de médiuns imperfeitos, na falta de outro. (O Livro dos Médiuns, Kardec, Seg. Parte, Cap. XX.)
Um aspecto relevante deste filme é que em todas as mortes (uma natural, no hospital, e três por violência) aparecem, nitidamente, os Espíritos deixando o corpo físico, processo que é acompanhado por uma luminosidade, talvez, para dar mais ênfase ao fenômeno desencarnatório. E, com um detalhe importante: logo após a desencarnação de duas criaturas perversas, como habitualmente ocorre na realidade, os Espíritos deles são cercados por uma falange de entidades inferiores, com roupagem preta e olhos avermelhados (como geralmente, na vida real, são vistos pelos clarividentes), que com certeza, os arrebatam para zona de sofrimentos. (Semelhante ao caso de uma velhota narrado pelo Espírito de André Luiz, em Nosso Lar, cap. 34, que, entre outras palavras, assim contou sua experiência: “Ao sair do mundo, vi-me cercada de seres monstruosos, que me arrebataram em verdadeiro torvelinho.”) No episódio da desencarnação do assassino de Sam, na via pública, tem-se a impressão de que os Espíritos maus o arrastam e penetram no solo em direção às esferas subcrostais. (Ver Obreiros da Vida Eterna, André Luiz, F. C. Xavier, FEB, cap. 15, p. 238.)
Ao atravessar o corpo de uma criatura encarnada, Sam visualiza suas estruturas internas, numa cena rápida com notável efeito especial. Ao vê-la, lembramo-nos das narrações de André Luiz (Os Mensageiros, cap. 14 e Missionários da Luz, cap.1, F. C. Xavier, FEB) sobre o desenvolvimento de sua visão após um estágio num Gabinete de Auxílio Magnético às Percepções, já estando no Além há alguns anos. Em certo momento, com o auxílio magnético do mentor Alexandre, teve sua apreensão visual muito aumentada, superior aos raios X.
A reação do gato preto de Molly à presença do Espírito de Sam é interessante e fundamentada na realidade, pois é conhecida a percepção psíquica dos animais. (O Livro dos Médiuns, Seg. Parte, Cap. XXII.)
No final, a manifestação de clauriaudiência e clarividência (ou materialização de Sam?) em Molly, é um momento lindo do filme. O episódio crítico da despedida, de alta emotividade, permitiu tal possibilidade, como acontece com algumas pessoas na vida real.
Pelo exposto, o roteiro desta belíssima produção só poderia ter sido escrito por um espiritualista, conhecedor da literatura especializada no assunto, como, de fato, Bruce Joel Rubin o é, tendo inclusive residido com monges no Tibet. Com esse brilhante roteiro, mereceu a estatueta de Hollywood!
Esperamos que o sucesso financeiro de Ghost estimule a produção de películas semelhantes, mostrando as realidades do Plano Espiritual, nosso Mundo verdadeiro e eterno.

“Espíritas lotam os cinemas e fazem o filme Ghost
bater novos recordes de públicos no Brasil
Bilheterias do outro mundo

Há seis meses em cartaz, os fantasmas do filme “Ghost – do outro lado da vida” não param de causar surpresa nas bilheterias dos cinemas brasileiros – a exemplo do que fez nas salas americanas – com cifras fenomenais. Em sua 26ª semana de exibição, visto por mais de sete milhões de pessoas no Brasil, o filme simplesmente voltou a bater seus próprios recordes, seja em número de público ou de salas. A produção saltou do patamar dos 250 mil espectadores em 48 salas de exibição por semana, nos três primeiros meses, para marcas impressionantes como a de 402 mil pessoas em 67 cinemas do País, obtida na primeira semana de abril.
Um fôlego sem precedentes ou explicação, cuja única pista é o crescente interesse dos espíritas pelo filme. Gente de todas as correntes do além tem se afeiçoado à história e telefonado para o escritório da distribuidora do filme, a United Internacional Pictures (UIP), no Rio, pedindo sessões especiais, cartazes e informações sobre tudo o que se refere à obra.
Na semana passada, por exemplo, a Federação Espírita do Rio Grande do Norte apelou para os distribuidores levarem o filme o quanto antes para aquele Estado, que, assim como o Piauí, ainda não teve nenhuma exibição de “Ghost” em seus cinemas. A cidade de Juiz de Fora foi mais astuta, enviando um “embaixador” de peso para solicitar uma cópia. Foi justamente graças à interferência do kardecista Augusto César Vanucci, diretor de teatro e de televisão, junto ao gerente de vendas da UIP, Jorge Peregrino, que o filme estréia esta semana na mais carioca das cidades mineiras.
- Muitas cidades do porte de Juiz de Fora ainda não tiveram o filme em cartaz, mas nós temos uma limitação de cópias e não dá para atender a todos ao mesmo tempo – explica Peregrino.
A mesma aura de interesse acompanha a trilha sonora de “Ghost”. Lançado no início do ano pela BMG-Ariola, o LP já é Disco de Ouro, com mais de 150 mil cópias vendidas, e caminha para se tornar Disco de Platina, com o estouro da faixa Unchained melody, do Righteous Brothers, que também foi incluída na trilha sonora internacional da novela Meu Bem, meu Mal.”
(Macedo Rodrigues, Segundo Caderno de O Globo, Rio, RJ, 24/4/91.)



Hércio M C Arantes
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