SELECIONE UMA CATEGORIA - -
O DOM DA PREMONIÇÃO
Sam Raimi
O DOM DA PREMONIÇÃO
O DOM DA PREMONIÇÃO
(THE GIFT)

EUA, 2000. Direção de Sam Raimi. Roteiro de Billy B. Thornton.
Com Cate Blanchett, Giovanni Ribisi, Keanu Reeves,
Greg Kinnear, Hilary, Swank, Katie Holmes
Lakeshore E., Alphaville e Paramount, colorido, 1h51,
impr. 16 anos, Europa Filmes.

Filme de suspense, com boa trama detetivesca, apresentando um elenco com vários atores de primeira linha. Foi classificado como impróprio para menores de 16 anos, em face de algumas cenas de sexo e violência.
A história se passa numa cidadezinha do interior da Geórgia, EUA, onde reside Annie Wilson (em brilhante desempenho de Cate Blanchett, a atriz australiana de Elizabeth), uma viúva, conhecida como “vidente”.
Alegando que a sua pensão é pequena para sustentar os três filhos, em seu trabalho mediúnico ela não estipula preço, mas aceita doações em dinheiro.
Os problemas maiores de Annie começam quando é procurada para resolver um caso policial. Jéssica (Katie Holmes) está desaparecida há muitos dias e seu pai, juntamente com o noivo dela e o xerife, a procuram na esperança de encontrar uma solução para o caso. De imediato, manipulando as cartas que usa habitualmente, ela nada consegue.
Mas, naquela noite, Annie tem um sonho revelador relacionado com um crime. E as suas informações levam a um principal suspeito: o agressivo Donnie (K. Reeves, Matrix), que já estava revoltado com a interferência dela no comportamento da sua esposa. A partir daí, a vida da vidente permanece ameaçada.
A dedicação fraterna da médium aos seus clientes e vizinhos é admirável, tanto que mereceu uma especial assistência do Espírito de um de seus antigos assistidos, o mecânico Buddy (G. Ribisi, O Resgate do Soldado Ryan), que, depois de lhe salvar a vida (embora impossível de acontecer na vida real, em virtude da forma pela qual desencarnou recentemente), disse-lhe: Você é a alma desta cidade. E precisa continuar fazendo o que faz.”
Também é elogiável o comportamento digno de Annie no júri, quando foi humilhada pelo advogado do réu por seu médium.
Em seu trabalho de vidente, concentrada em suas cartas, Annie identifica fatos já ocorridos, bem como, justificando o título do filme, prevê situações futuras.
Habitualmente ela usa cartas do tipo Zener, utilizadas em pesquisas parapsicológicas, estampadas com as simples figuras de quadrado, círculo, estrela e ondas. É evidente que estas, em si, nada podem informar, sendo úteis somente para facilitar a concentração mental do médium.
Quanto ao recebimento de recompensa financeira pelo seu trabalho mediúnico, aprendemos na Doutrina Espírita que este não é o procedimento correto e ideal do médium, porque para merecer uma assistência espiritual elevada, indispensável para um bom e útil desempenho de seus dons, e com vistas ao seu progresso espiritual, deve exercer sua tarefa à luz do Evangelho de Jesus, “dando de graça o que de graça recebeu”.
Sobre essa importante questão, assim Emmanuel elucida-nos:
“Quando um médium se resolva a transformar suas faculdades em fonte de renda material, será melhor esquecer suas possibilidades psíquicas e não se aventurar pelo terreno delicado dos estudos espirituais.
A remuneração financeira, no trato das questões profundas da alma, estabelece um comércio criminoso, do qual o médium deverá esperar no futuro os resgates mais dolorosos.
A mediunidade não é ofício do mundo, e os Espíritos esclarecidos, na verdade e no bem, conhecem, mais que os seus irmãos da carne, as necessidades dos seus intermediários.” (O Consolador, Francisco C. Xavier, FEB, questão 402.)

Em recente entrevista, o famoso diretor Sam Raimi (de Homem-Aranha, 2002, de grande sucesso mundial), ao ouvir o seguinte comentário do repórter: “O filme O Dom da Premonição traça um retrato impressionante desse provincianismo mais comezinho, representado pelos personagens que povoam a cena local, e da perda de fé nos instintos mais primitivos, estampada na descrença pelas atividades de Annie”, disse:
“ – Ainda assim, acho que as pessoas estão buscando respostas para o que é inexplicável. Mesmo em um mundo materialista como esse em que estamos vivendo hoje em dia. Há muito mais do que a gente pode sentir.”
(Reportagem de Alessandro Giannini, O Estado de S. Paulo,
Caderno 2, São Paulo, SP, 25/02/2002.)

O pensamento final de Raimi: Há muito mais aqui do que a gente pode sentir” faz-nos lembrar da célebre frase de Hamlet:
“ – Há no Céu e na Terra, Horácio, bem mais coisas do que sonhou jamais nossa filosofia.” (A Tragédia de Hamlet, Shakespeare, Ato I, Cena V, Ed. Victor Civita) que mereceu a seguinte Nota do tradutor Péricles E. da Silva Ramos.
“177. Filosofia, i.e., filosofia da natureza ou ciência, como se Hamlet dissesse: Há fantasmas, embora não conheça a nossa ciência’.”




Hércio M C Arantes
+Info: